segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Capitulo 1 - Noiva

NINGUÉM ESTA OLHANDO PARA VOCÊ, GARANTI A MIM MESMA. NINGUÉM está olhando para você. Ninguém está olhando para você.
Como eu não conseguia mentir de modo convincente nem mesmo para mim, tive que verificar.
Enquanto esperava que um dos três sinais de trânsito da cidade abrisse, olhei para a direita -- na minivan, a Sra. Donovan tinha virado todo o corpo para mim. Os olhos dela perfuravam os meus, e eu me encolhi, me perguntando porque ela não desviara o olhar ou demonstrava constrangimento.
Ainda era considerado falta de educação encarar as pessoa, não era? Isso não se aplicava mais a mim?
Depois me lembrei de que aquelas janelas eram tão escuras que ela não devia fazer ideia de que era eu que estava ali, menos ainda de que eu havia flagrado seu olhar. Tentei me reconfortar um pouco com o fato de que ela não estava olhando para mim, só o carro.
Meu carro. Suspiro.
Olhei para a minha esquerda e gemi. Dois pedestres estava paralisados na calçada, perdendo a oportunidade de atravessar por estarem olhando o carro. Atrás deles, o Sr. Marshall olhava feito um parvo pela vitrine de sua lojinha de presentes. Pelo menos ele não estava com o nariz achatado contra o vidro. Ainda.
O sinal ficou verde, e na pressa para escapar pisei fundo no acelerador, sem pensar -- como normalmente teria feito para colocar em movimento minha antiga picape Chevy.
O motor rugiu como uma pantera caçando o carro deu um solavanco tão forte para a frente que meu corpo bateu contra o encosto do banco de couro preto e meu estômago se achatou de encontro á coluna.
_Ai!__arfei enquanto procurava  freio. Mantendo a calma, apenas toquei o pedal. O carro deu uma sacudidela e ficou completamente imóvel.
Não consegui olhar as reações á a minha volta. Se houvesse alguma dúvida sobre quem estava dirigindo o carro, agora ela deixara de existir. Com a ponta do sapato, cutuquei o pedal do acelerador meio milímetro, e o carro se lançou para a frente de novo.
Consegui chegar ao meu destino: o posto de gasolina. Se eu não estivesse dirigindo só com o cheiro da gasolina, de jeito nenhum teria ido á cidade. Eu estava passando sem muitas coisas ultimamente, como torradas Pop-Tarts e cadarços, só para não aparecer em público.
Agindo como se estivesse em uma corrida, abri o tanque, passei o cartão e encaixei a mangueira de combustível em segundos. É claro que não havia nada que eu pudesse fazer para que os números no medidor andassem mais rápido. Eles mudavam lentamente, quase como se quisesem me irritar.
Não era um dia claro -- um típico dia chuvoso em Mystic Falls, Washington --, mas eu ainda tinha a sensação de que havia um holofote focado sobre mim, chamando a atenção para a delicada aliança em minha mão esquerda. Em ocasiões como aquela, sentindo olhares nas minhas costas, parecia que a aliança pulsava como uma placa de neon: Olhem pra mim. Olhem para mim.
Era idiotice ficar tão sem graça, e eu sabia disso. Além de meu pai e de minha mãe, será que importava realmente o que as pessoas diziam sobre meu noivado? Sobre meu carro novo? Sobre minha misteriosa admissão numa universidade da Ivy League? Sobre o cartão de crédito preto e reluzente que agora parecia arder no meu bolso de trás?
_É, quem liga para o que eles pensam? __murmurei.
_Hmmm, moça? __uma voz e homem chamou.
Eu me virei, e então desejei não ter feito aquilo.
Dois homens estavam parados atrás de uma 4 x 4 caro, com caiaques novos em folha no rack do teto. Nenhum deles olhava para mim; os dois tinham os olhos fixos no carro.
Pessoalmente, eu não entendia. Já me orgulhava de poder distinguir entre os logos da Toyota, da Ford e da Chevrolet. Aquele carro era preto, reluzente e lindo, mas para mim ainda era só um carro.
_Desculpe incomodá-la, mas poderia me dizer que modelo é esse que está dirigindo? __perguntou o alto.
_Hã, é um Mercedes, não é?
_Sim -- disse o homem com educação, enquanto o amigo mais baixo revirava os olhos diante da minha resposta. -- Eu sei. Mas eu estava  me perguntando se você ... está dirigindo um Mercedes Guardian? -- O homem disse o nome com reverência. Tive a sensação de que aquele sujeito iria se dar bem com Damon Salvatore, meu... meu noivo (ultimamente não havia como fugir da realidade do casamento dali a alguns dias). -- Eles ainda não devem estar disponíveis nem na Europa -- continuo o homem --, que dirá aqui.
Enquando meus olhos acompanhavam as linhas de meu carro -- não me parecia muito diferente de outros Mercedes sedãs, mas o que eu entendia do assunto? --, pensei em meus problemas com palavras como noivos, casamento, marido ect.
Eu não conseguia aceitar aquilo.
Por um lado, fui criada para me encolher só de pensar em vestidos brancos e buquês de noiva. Mais do que isso, pórem: eu não conseguia harmonizar um conceito tradicional, respeitável e tedioso como marido com meu conceito de Damon. Era como imaginar um arcanjo como um contador; eu não conseguia visualizá-lo em nenhum papel comu.
Como sempre, assim que comecei a pensar em Damon, fui apanhada numa vertigem de fantasias. O estranho teve que piarregar para chamar minha atenção; ainda esparava por uma reposta a fabricação e o moelo do carro.
_Não sei __eu respondi com sinceridade.
_Posso tirar uma foto dele?
Precisei de um segundo para processar o pedido.
_De verdade? Quer tirar uma foto do carro?
_Claro... Ninguém vai acreditar em mim se eu não tiver a prova.
_Hã. Tudo bem. Pode tirar.
Rapidamente tirei a mangueira de gasolina e e esgueirei para o banco da frente a fim de me esconder enquanto o carra fissurado pegava ana mochila uma câmera que parecia profissonal. Ele e o amigo se revezaram posando junto ao capô e depois tiraram fotos da traseira.
_Ai, que saudades da minha picape -- choraminguei comigo mesma.
Fora mesmo muito conveniente -- conveniente demais -- que minha picape desse seu último suspiro semanas depois de Damon e eu fecharmos nosso acordo desigual, e um detalhe do acordo era que Damon poderia substituir minha picape quando ela morresse. Ele jurou que era apenas o esperado; que a picape tinha tido uma vida plena e longa e depois falecera, de causas naturais.
Isso é que o que ele diz. E, é claro, eu não tinha como verificar sua história ou tentar, sozinha, erguer a picape de entre os mortos. Meu mecânico preferido...
Eliminei esse pensando, recusando-me a levá-lo a uma conclusão. Em vez disso, voltei a atenção par as vozes dos homens do lado de fora, abafadas pela lataria do carro.
_ ... atacado com um lança-chamas num vídeo on-line. Nem enrugou a pintura.
_É claro  que não. Até dá para passar com um tanque por cima desse bebê. Mas não tem muito mercado por aqui. Foi projetado basicamente para diplomatas do Oriente Médio, traficantes de armas e chefôes das drogas.
_Acha que ela é alguma coisa? __perguntou o mais baixo, reduzindo o volume da voz.
Baixei a cabeça com o rosto em brasa.
_Hmmm -- mumurou o alto. __Talvez. Nem imagino para que alguém precisa de vidro á prova de mísseis e duzentos quilos de blindagem por aqui. Deve estar indo a um lugar mais perigoso.
Blindagem. Duzentos quilos de blindagem. E vidro á prova de míssies? Que ótimo. O que aconteceu com o bom e velho vidro á prova de balas?
Bom, pelo menos isso fazia algum sentindo -- para que tem um senso de humor meio distorcido.
Não é que eu não esperasse que Damon tirasse proveito de nosso acordo, fazendo a balança pender para o lado dele, dando-me muito mais do que receberia. Eu concordei que ele substituiria minha picape quando fosse necessário, sem esperar que esse momento chegasse tão cedo, é claro. Quando fui obrigada a admitir que a picape não passava de um tributo em natureza-morta aos Chevys clássicos no meu meio-fio, sabia que a ideia que ele fazia de substituição ia acabar me deixando constrangida. Ia me tornar o foco de olhares e cochichos. Eu tinha razão quanto a essa parte. Mas mesmo em minhas mais sinistras concepções não previ que ele me daria dois carros.
O carro de "antes" e o carro de "depois", explicou-me quando eu pirei.
Aquele era só o carro de "antes". Ele me disse que era emprestado e prometeu que o devolveria depois do casamento. Tudo aquilo não fazia qualquer sentido para mim. Até então.
Rá-rá. Ao que parecia, porque eu era tão fragilmente humana, tendia tanto a me acidentar era tão vítima de minha própria e perigosa falta de sorte, precisava de um carro que resistisse a tanques para me manter segura. Hilário. Eu tinha certeza de que ele e os irmãos riram da piada pelas minhas costas.
Ou talvez, só talvez, susurou uma vozinha em minha cabeça, não seja uma piada, sua boba. Talvez ele realmente se preocupe com você. Não seria a primeira vez que ele teria exagerado um pouco, tentando protegê-la.
Eu suspire.
Ainda não vira o carro de "depois"

CONTINUO DEPOIS

Sem comentários:

Enviar um comentário